É bom ser conhecido como gay

Uma pesquisa da CNN aponta que nos EUA a aprovação da união homossexual é maior entre os jovens. Na faixa que vai dos 15 aos 34 anos, 58% afirmaram que o casamento gay deveria ser legal. Essa porcentagem cai para 42% entre aqueles com 35 a 50 anos, e fica em 41% para quem tem entre 51 e 64. A diferença aumenta ao se ouvir os mais velhos: somente 24% daqueles com 65 anos ou mais aprovam a medida.

A meu ver, o dado mais interessante levantado pela pesquisa é a constatação de que quem conhece e convive com homossexuais tende a ser mais favorável à união entre pessoas do mesmo sexo.

“Pessoas que afirmam ter um amigo ou parente gay apoiam o casamento entre pessoas do mesmo sexo”, diz Keating Holland, diretor de pesquisas da CNN, que complementa: “A maioria daqueles que dizem não conhecer nenhum homosssexual se opõe ao casamento gay”.

Esses resultados só ressaltam a importância de se assumir. Somos 10% da população, então é impossível que alguém não conheça nenhum homossexual – a não ser que se viva numa redoma. Na melhor das hipóteses, pode-se falar que essas pessoas não conhecem nenhum homossexual assumido. E é muito mais fácil chamar de anormal o que não se conhece a fundo, pois o conhecimento raso lida praticamente só com estereótipos.

Quer um exemplo melhor de que os gays não são um grupo de pessoas igualmente “sem-vergonha” do que descobrir que o irmão, uma colega de trabalho, o melhor amigo é homossexual? A família, os amigos e outros conhecidos nos conhecem como indivíduos, antes de tentarem nos encaixar em qualquer padrão de comportamento. E a descoberta da homo/bi/transexualidade de alguém possibilita que no mínimo se questionem as manifestações homofóbicas que condicionam o julgamento que as pessoas fazem sobre o assunto.

Ao dizer sim, sou gay, mandamos também outra mensagem, não tão evidente: nós não somos os monstros que vocês pintam, e nós não queremos ser tratados dessa forma. Individualmente, isso parece pouco. Nem tão pouco, se pensarmos no número de pessoas com quem convivemos, para quem a homossexualidade se torna menos estranha.

Como diriam as feministas, o privado é público. Um homossexual assumido é uma pessoa que não precisa mais mentir. Milhares, somos mesmo uma revolução silenciosa.

Uma resposta para É bom ser conhecido como gay

  1. […] podem trazer, ainda que sutilmente alguma mudança representativa para a comunidade LGBT. E, como já comentamos aqui também, é bom, muito bom, ser conhecido como […]

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