O beijo e o silêncio gay da Globo

O Parada Lésbica publicou um post contando que finalmente a Rede Globo exibiu, em uma de suas novelas, um beijo entre duas pessoas do mesmo sexo.

Sargento Selma (Hermila Guedes) e Jaqueline (Fabíula Nascimento) tocaram os lábios no fim do episódio. Algo que durou cerca de três segundos. A primeira, que é homossexual assumida no programa, queria provar para a namorada do Tenente Wilson (Murilo Benício) que não eram amantes. Por isso, o beijo.

Não vou entrar no mérito de nem ter sido um beijo real, entre duas pessoas que estão tendo um relacionamento, pois senão me demoraria nesse aspecto. De qualquer forma, devo dizer que de nada adiantou. Tenho a forte impressão de que essa leva de personagens homossexuais que tem aparecido nas novelas (personagens essas que ou são ofensivamente caricatas e tendem para o lado cômico OU não se encostam em momento algum, indicando apenas com sutilezas a homossexualidade) está lá apenas para a Rede Globo poder, hipócritamente, dizer que está fazendo alguma coisa pela comunidade LGBT. Pois não faz nada. Nenhuma questão polêmica é levantada, os personagens homossexuais sempre tem seu lugar num cantinho, com um romance discreto sem maiores repercussões.

Particularmente eu acho as novelas da Globo uma porcaria, então poderia ser perguntado a mim porque me incomoda tanto a ausência da comunidade LGBT de maneira efetiva nelas. Pois eu digo: eu assistia muitas quando era bem menor, e a presença de gays teria feito toda – toda MESMO – a diferença no reconhecimento da minha homossexualidade. Um personagem com o qual eu pudesse me identificar e ser levado a compreender que é completamente natural se sentir atraído por pessoas do mesmo sexo teria retirado algumas pedras do caminho. E olha que, dos homossexuais que eu conheço, acredito que o meu reconhecimento tenha sido o menos problemático.

Fico pensando na quantidade de meninos e meninas com sérios problemas de gênero, sexualidade e identidade por todo o Brasil que ficariam aliviados ao assistir uma menina lésbica sendo aceita pela família e pelos colegas, um casal de homens dando as mãos em lugares públicos, um casamento e uma adoção entre pessoas do mesmo sexo. Quando penso nisso, meu coração se aperta de raiva da Rede Globo que mudando de 0,0000001 a 0,0000002% personagens gays diz que está fazendo grande diferença e posa de politicamente correta.

2 respostas para O beijo e o silêncio gay da Globo

  1. […] não posso ser tão agradável na crítica à última aparição lésbica na Globo, já comentada aqui pelo Pedro. Eu não conseguiria descrever minha reação à cena. Vou deixar que o quadril da moça […]

  2. […] das novelas brasileiras, por exemplo, temos no Homomento já dois posts sobre o assunto (aqui e aqui), contando mais decepções do que alegrias até […]

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