“Futebol é esporte viril, varonil, não homossexual.”

Não sou torcedor, nem sequer gosto de futebol. A pressão explicita e muitas vezes implícitas de que eu jogasse, me interessasse, falasse sobre o mesmo acabou surtindo um efeito oposto, o desprezo total.

Assim como muitos garotos gays já ouvi piadas e fiquei deslocado em vários ambientes e grupos durante uma parte da minha vida por não ter um time pelo qual eu discutisse ou parasse meu dia para ficar torcendo. Sempre me chamou atenção a importância que algumas pessoas dão para o futebol/time e o espaço e incentivo desproporcional dispensado ao dito em relação aos outros esportes. Aprendi a ignorar.

Piadas homofóbicas no seu geral não me divertem nem um pouco, mas parecem ser muito engraçadas, tendo em vista a quantidade e a divulgação que tem. Reparei também que quando gay não é piada vira automaticamente ofensa, das mais asquerosas. E isso é muito nítido justamente nesse campo, o de futebol. Até ano passado pensava que inspirados em gays como eu o motivo fosse lógico, gays não sabem, não querem ou não gostam de jogar futebol, mas eu estava enganado.

Ano passado mesmo surgiu uma polêmica sobre o jogador Richarlyson, depois de um debate realizado em um dos muitos programas dedicados ao esporte:

O assunto foi exposto com um receio quase infantil, mas de forma polida. O jogador, não sei se só a partir de então, virou alvo público de comentários preconceituosos e dúbios.

A questão então é: Confirmado. Mesmo jogando bem, o asco vem direta e simplesmente da sexualidade do jogador. O futebol é automaticamente associado à virilidade.

Isso afeta também jogadoras de futebol, lógico, pois segundo a maioria e parte da opinião pública futebol é coisa de homem e fim (vide as recorrentes polêmicas em torno da arbitragem feminina e o espaço
marginal dedicado à liga de futebol feminina). Essa máxima sexista se extende até os tribunais, onde Richarlyson após afirmar ser heterossexual entrou com uma queixa-crime e o caso foi arquivado pelo juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho, pois, segundo esse senhor o futebol é “jogo viril, varonil, não homossexual”, o mesmo acabou sugerindo ao jogador que desistisse da carreira ou criasse uma liga exclusiva para homossexuais.

Durante um tempo a situação e a resolução do juiz foram comentadas, um avanço em relação ao assunto parecia possível. Infelizmente não se deu dessa maneira, as piadas continuam, o preconceito ainda é nítido, e o citado jogador virou sinônimo de ofensa, quando não é simplesmente evitado, afinal ele não é o nada parecido com o que atualmente é concebido como exemplo clássico da masculinidade, logo, não deveria manchar o panteão divino dos machos do futebol.

2 respostas para “Futebol é esporte viril, varonil, não homossexual.”

  1. […] O problema de Hélio dos Anjos, segundo ele mesmo, não é com homossexual, mas sim com homem fresco. Mas é óbvio que a associação de um com outro, feita espontaneamente no primeiro comentário, é totalmente compreensível, não? Afinal, o futebol não conta com uma infinidade de fãs homossexuais, fãs e mulheres, e não tem um monte de jogadores no armário. Afinal, homossexual não é gente comum que está por aí. Não. E afinal, o futebol é um esporte viril e varonil, não homossexual. […]

  2. MSilva disse:

    Opa, gostaria de te convidar para participar de uma rede de conteúdo, se tiver interesse me adiciona no msn smatosjr@gmail.com ou me manda um email. Abraços Junior

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