Homossexualismo, homossexualidade e homoafetividade

No que concerne aos indivíduos que não mantém relações afetivas ou sexuais com pessoas do sexo oposto, as nomenclaturas são variantes. Sabemos que o termo homossexualismo tem tom depreciativo por conta de seu sufixo “ismo”, associado na medicina a doença ou patologia. Dois episódios exaustivamente repetidos na mídia gay são (1) a retirada da homossexualidade da lista de transtornos mentais do Código Internacional de Doenças, em 1973, e (2) a atitude da Organização Mundial de Saúde em 1992 ao declarar que as relações entre duas pessoas do mesmo sexo não se tratava de homossexualismo, e sim de homossexualidade.

A comunidade LGBT (que internamente já encontra suas próprias dificuldades ao se determinar, sendo antigamente GLS e posteriormente GLBT) luta, desde então, para que a sociedade use a nomenclatura mais correta e respeitosa. Infelizmente, a maioria massiva das pessoas utiliza “homossexualismo” não só no cotidiano mas também na mídia: é exceção à regra algum veículo mencionar homossexualidade ao invés da sua detestada antecessora. Enfrentamos, ainda, a expressão “opção sexual” com todas as suas variáveis (preferência, escolha), sendo obrigados a cumprir o papéis de ativistas ao alertar que em momento algum definimos nossas aspirações para relacionamentos.

A trancos e barrancos levamos a tão desejada “homossexualidade” e todos os seus raciocínios implícitos (não é uma opção, não é anti-natural) até onde podemos. Um belo dia, alguém como Maria Berenice Dias escreve um artigo lançando homoafetividade como um novo substantivo: sua argumentação faz sentido o suficiente para derrubar a “homossexualidade”, no sentido de que esta, grosseiramente, não abrangeria vínculos afetivos.

Admito que minha vontade sincera é a de sair falando homoafetividade para as pessoas – todas elas diriam: mas não era na homossexualidade que tu tanto insistia? -, e gostaria muito que um dia essa expressão, que nos remete a amor e carinho, fosse utilizada por todos. Talvez eu, de fato, flerte com ela vez ou outra, mas um pouco descrente de seu sucesso. O que garante, porém, que uma nova terminologia não coloque essa em cheque?

Diante de tantas reflexões acerca de uma definição concisa para o que somos ou deixamos de ser, observo que apenas quatro letrinhas se mantiveram intactas: o prefixo homo. Quem sabe um dia não ficamos só com ele, para lembrarmos que, como qualquer pessoa por aí (e como diz a campanha do grupo ativista), somos todos homo sapiens.

4 respostas para Homossexualismo, homossexualidade e homoafetividade

  1. Cláudio F. disse:

    Acredito que há coisas mais delicadas e não sou muito fã da opção dada pela Maria Berenice Dias, atual advogada e desembargadora aposentada.
    Sexualidade, na minha concepção, constrói inclusive o afeto, portanto sendo mais abrangente. A prática sexual entre nós, humanos, no mínimo tem que ser envolta por empatia, não tratando aqui de relações de prostituição, estas mediadas por dinheiro.
    A questão da sexualidade também faz com que as pessoas se assumam mais, mesmo que tenham relações mediadas por dinheiro. Um termo como homoafetividade é interessante, mas exclui completamente o cidadão que é michê a noite e de dia pode ter uma namorada para mostrar a sociedade que ele não é homossexual. Penso que reforçaria este pensamento e auxilia uma clausura no armário.
    Falar de sexualidade é complicado, até porque eu também penso que sexualidade é espectral e não uma reta com três pontos (homo——–bi———hétero), entre o homo e o bi podem haver gradações…
    Mas finalizando algo que ficou um pouco confuso: O importante mesmo é o respeito. Se a pessoa fala em opção sexual e homossexualismo e é respeitosa com a comunidade GLxyz é o que importa.

  2. jullianna nemer alves disse:

    Bom tenho uma amiga que muitos na minha familia sao contra essa amizade mais eu nem ligo para mim o que basta e o Amor e eu a amo muito !minha tia e minha madrinha (a mesma pessoa) disse pra mim um dia que ja estava conformada com a minha relaçao de amizade entre mim e ela disse que era uam relaçao de homoafetividade e que isso era uma relaçao e carinho amor respito um troca so nao tinha sexo sou muito certa da minh opçao sexual gosto mesmo e do senxo oposto no meu caso homems e nao tenho vergonha de falar que amo minha amiga e minha relaçao de homoafetividade!
    como ja falaosmos varias vezes nossa amizade e iguala bunda merda nem uma separa! e olha qu eu efaço muita merda!
    bjus e obrigado pelo exclarecimento!

  3. Thiago V disse:

    Quanto mais querem elaborar os termos, pior fica a explicação. Sou gay e basta.
    Acho uma frescurada a palavra homossexualidade, que parece mais um “acidente de percurso”, como a bobageira da “opção sexual”. Nunca optei por nada. Nasci e sou viado. Homossexualismo tem muito mais a ver com a realidade, gostem ou não os teóricos que procuram pelos em traseiros de estátuas em praças públicas.
    E quanto ao movimento GLS, hoje em dia tanta letra de subgrupos que querem ter espaço para aparecer em revista, eu o chamo pejorativamente de LGBTWÇcomKY.
    GLS era bem mais claro e eficiente.
    Mexer demais muitas vezes é colocar em risco os ganhos. Vale para mercado de ações e também para conquistas socias.

  4. eliot disse:

    Gays, não gays LBGs e afins, suas dúvidas acabaram vejam no youtube ; http://www.youtube.com/watch?v=Iz_A7xgcIFw

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