Destaque da semana: o fim dos (des)tratamentos

Nessa quarta-feira, 5, nos Estados Unidos a American Pshychological Association determinou que os profissionais da área não devem dizer aos seus clientes homossexuais que eles podem se tornar heteros através de terapia. Um dos motivos para que a decisão fosse tomada foram estatísticas apontando que frequentemente esses procedimentos conduzem a pensamentos depressivos e suicidas.

No embalo do clima anti-terapia, foi divulgado essa semana o comovente relato de Patrick McAlvey, um rapaz que, ao perceber os sinais de sua orientação sexual, sentiu-se confuso e buscou a ajuda de um psicólogo.

No vídeo, McAlvey descreve os métodos nada convencionais utilizados pelo contratado para livrá-lo desse mal: abraçá-lo longamente para “suprir sua necessidade de amor masculino”, levá-lo à sua casa para mostrar filmes com atores nus e fazer perguntas a respeito do tamanho de seu pênis (alguém está pensando na mesma coisa que eu?). Ainda conta que, quando revelou ao psicólogo que a terapia não estava surtindo efeito, este deu-lhe uma palestra sobre como a vida dos gays se resume a usar drogas, beber excessivamente, comportar-se promiscuamente e contrair DSTs.

O mais preocupante é pensar que Mike Jones não é um salafrário qualquer, como aparenta por sua maneira de proceder: ele é o diretor da Corduroy Stone, associação filiada à Exodus International, grande organização que tem como slogan Libertação da homossexualidade através do poder de Jesus Cristo.

Patrick diz que a experiência atrasou sua vida, causando um sofrimento irreparável.

Eu era incapaz de me aproximar ou de confiar em qualquer pessoa, com medo que ela descobrisse o meu segredo e me odiasse por isso. (…) Se eu tivesse acesso a uma representação justa de gays, se alguém me dissesse que eles também podem ser felizes, ter relacionamentos saudáveis, construir famílias e tudo o que eu sempre quis fazer, muito sofrimento teria sido evitado na minha vida. (…) Eu queria dizer a todos que tentam fazer esse tratamento que o momento mais feliz da minha vida foi quando eu me aceitei de verdade (…).

Se por um lado é animador assistir a um vídeo assim e pensar que, ao menos na teoria, tais práticas foram abolidas nos EUA, sabemos que infelizmente, mesmo com os devidos impedimentos previstos no papel, o mesmo definitivamente não se aplica em solo tupiniquim.

2 respostas para Destaque da semana: o fim dos (des)tratamentos

  1. […] instituição católica unida pela conversão de gays (sobre a qual já falamos anteriormente, no relato de um homossexual que se submeteu aos procedimentos deles). Finalizam, é claro, colocando que mesmo que sua hipótese inicial fosse que a orientação […]

  2. […] com a decisão da APA, a NARTH (National Association for Research & Therapy of Homossexuality / Associação Nacional […]

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