Agora falando sério

O primeiro conselho que dou é direto: se não assistiu o filme e pretende faze-lo, não leia o que vem a seguir. Não chego a revelar o conteudo do filme, nem creio que vá estragar alguma surpresa que a película reserva. Mas simplesmente acredito ser mais proveitosa a audiencia sem a influencia de opiniões exteriores, sejam elas quais forem, assim como eu fiz.
Agora, se você já viu Brüno, ou mesmo não pretende, segue minha opinião (minha, não do blog):
O ator Sasha Baron Cohen, conhecido pela maioria dos brasileiros como Borat (2006), volta aos cinemas com um novo filme: Brüno (2009). Sai de cena o segundo melhor repórter do Cazaquistão para dar lugar ao personagem da vez, um fashionista austriaco gay homonimamente batizado. E é justamente na orientação e práticas sexuais, assim como no comportamento e atitudes incomuns do personagem que temos a polêmica do filme. Não, não estamos falando de mais um longa sobre as dificuldades enfrentadas por um jovem que se “descobre homossexual”, até porque esse não é o estilo do trabalho de Cohen, tampouco estamos falando de um longa convencional, tanto no tema, abordagem, humor como no formato.
Sasha mantém algumas fórmulas de Borat, aquela mistura de filme de comédia com documentário, tendo que recorrer a sempre presente narração feita pelo próprio personagem para explicar exatamente o que está acontecendo, tendo em vista que só o roteiro não sustenta o que chamamos de lógica.

bruno1-(2)

O ator Sasha Baron Cohen, conhecido pela maioria dos brasileiros como Borat (2006), volta aos cinemas com um novo filme: Brüno (2009). Sai de cena o segundo melhor repórter do Cazaquistão para dar lugar ao personagem da vez, um fashionista austriaco gay. E é justamente na orientação e práticas sexuais, assim como no comportamento e atitudes incomuns do personagem que temos a polêmica do filme. Não, não estamos falando de mais um longa sobre as dificuldades enfrentadas por um jovem que se “descobre homossexual”, até porque não é essa a linha do trabalho de Cohen. Seria muito convencional; exatamente o que não encontramos na apresentação do tema ou na abordagem deste, muito menos no humor pretendido.

Sasha mantém o seu estilo, que já havia mostrado em Borat e que parece ter funcionado, aquela mistura de filme de comédia com documentário, tendo que recorrer a sempre presente narração feita pelo próprio personagem para explicar exatamente o que está acontecendo, tendo em vista que só o roteiro não sustenta a história, e acredito nem ser mesmo esse o real foco do humorista. Os primeiros vinte minutos parecem ser dedicados aos fãs saudosos de Borat, com situações bem similares (dentro de seus devidos contextos) ao que já vinha sido apresentado pelo personagem anterior: temos uma necessária apresentação do protagonista e o porque de sua jornada, seguido de alguns takes com exposição de “famosos” a situações bizarras, evidenciando o contraste entre o discurso e a prática.

Sequência da cena com Paula Abdul, exposição do contraste entre discurso e prática aplicada aos "famosos"

Sequência da cena com Paula Abdul, sentados em móveis humanos discursa sobre seus projetos humanitários. Exposição do contraste entre discurso e prática aplicada aos "famosos"

A partir de então as semelhanças com o outro trabalho de Sasha se tornam cada vez menores. Falo isso porque é a partir daí que a sexualidade do personagem começa a ser de fato explorada de maneira mais nítida, esse enfoque é gradual e crescente, chegando ao ápice no final do filme. Objetivo alcançado? Não sei… Mas qual seria afinal o objetivo do filme? Resposta fácil, fazer rir. Improvavel não escapar uma risada sequer ao longo da mais de uma hora de filme, pois o comediante ataca em todas as frentes, do humor negro ao pastelão, da crítica sutil ao escracho, não perdendo nenhum perfil de espectador, ficando assim impossível de errar.

Mas se formos analisar o primeiro nome divulgado para o filme: Brüno – Deliciosas jornadas através da América com o propósito de deixar homens heterossexuais visivelmente desconfortáveis na presença de um estrangeiro gay em uma camiseta de malha; Vemos aí o foco da crítica social, a exposição da homofobia na atual sociedade (machista ou não). Sasha, ou melhor, Brüno expõe de diversas maneiras e em diversas situações as pessoas aquilo que muitas vezes elas preferem ignorar quando não apenas dar comentários isentos e politicamente corretos, a polêmica é o objetivo que é alcançado e que só auxilia na divulgação, e a reflexão de fato não é feita.

Bom, é lógico que cabe ao espectador, à sua memória pós-sessão e à sua capacidade de refletir levar o trabalho de Sasha a um pensamento mais elaborado. Mas devemos considerar que as cenas longas e propositalmente apelativas que durante todo o filme impressionam, quando não chocam, acabam por desvirtuar e ofuscar qualquer real discussão mais acalorada que pudesse surgir sobre o tema, invalidando o argumento de que Brüno serve como meio de combate a homofobia. Não serve.

bruno

Seria sonhar alto demais contar que  o lançamento de um filme, como Brüno, servisse para amenizar o preconceito no mundo ou quaisquer outras agruras que nos assombram. A única esperança que tenho é, que ao menos, o número de pessoas que saiam da sala de cinema com a mente um pouco mais aberta seja inversamente proporcional ao de vezes que o nome Brüno será utilizado pejorativamente como sinônimo de agressão e chacota ao mesmo público que dizem estar sendo defendido.

2 respostas para Agora falando sério

  1. […] quando o politicamente incorreto é bom Diferente do Rodrigo, eu acredito que não podemos ver o filme de Sascha Baron Cohen como um possível instrumento para […]

  2. […] no que diz respeito à cultura LGBT. O Homomento fez duas críticas do filme: Rodrigo Maciel discordou dos excessos cometidos pelo ator e diretor do filme, enquanto Carolina Maia acredita que o humor […]

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