Insistindo no erro

A decisão da American Pshychological Association de banir tratamentos de cura para LGBTs já está sendo contestada, como era de se esperar. Uma pesquisa desenvolvida durante seis anos tendo como objeto de estudo 61 homens e mulheres homossexuais em tratamento “comprova” que a terapia direcionada à reorientação sexual é eficiente. Confira os resultados no infográfico abaixo, gerado pelo Homomento com as frases originais do trabalho, traduzidas para o português.

Tabela

A alegação é que a primeira e a segunda categoria da tabela, aliadas, formam a parcela de gays totalmente curados. Assim, a grande descoberta divulgada foi que 53% dos homossexuais que tentam se curar obtém sucesso. Waymon Hudson, do Bilerico Project, não precisa pensar muito para detectar uma falha: então castrar homens gays e fazer deles celibatários é curá-los? Essa é a definição para “perder a homossexualidade”? – Não manter relações sexuais com ninguém e ter atrações por homens “reduzidas”?. Notem, também, que os que se mantiveram gays apenas não teriam realizado o tratamento até o fim, sugerindo falha por parte dos pacientes e não do procedimento.

A matéria de Hudson sobre o caso é bem completa, mostrando-nos ainda críticas realizadas pela própria Pshychological Association e até mesmo por um grande portal de notícias cristãs. Pudera; há erros gritantes como a omissão, na porcentagem final, de 37 pessoas que desistiram “por razões diversas” ao longo dos seis anos. Assim, se 61 homossexuais formam a pizza visualizada acima, deveriam ser 96. Quase 40% dos objetos foram totalmente abstraídos da conclusão.

A pesquisa é, na realidade, uma versão atualizada do livro Ex-Gays?, dos mesmos autores, publicada em 2007

A pesquisa é, na realidade, uma versão atualizada do livro Ex-Gays?, dos mesmos autores, publicada em 2007

O resumo do trabalho, que foi apresentado numa convenção em Toronto no último 9 de Agosto, tem de fato conteúdo bastante duvidoso. Os pesquisadores Stanton Jones (Wheaton College) e Mark Yarhouse (Regent University) discorrem sobre como os estudos na área do tratamento de homossexuais foram postas de lado por conta de um preconceito que os associa a experimentos passados. Contam que a terapia observada era realizada por membros da Exodus International, grande instituição católica unida pela conversão de gays (sobre a qual já falamos anteriormente, no relato de um homossexual que se submeteu aos procedimentos deles). Finalizam, é claro, colocando que mesmo que sua hipótese inicial fosse que a orientação sexual não pode ser alterada e que seu tratamento traz malefícios, só puderam chegar a conclusões totalmente contrárias.

Depois da fantástica reflexão da Carol sobre a idéia de que se pode reorientar a sexualidade, tudo o que me resta a comentar é a disposição e o tempo que essa gente tem para elaborar maneiras de provar que a existência de homossexuais é inaceitável. Se religiosos e homofóbicos de plantão revertessem tempo que gastam lutando contra LGBTs em jogos de peteca, por exemplo, com certeza seriam sujeitos mais alegres e bem menos desgostosos com a vida alheia. Fica a singela sugestão.

3 respostas para Insistindo no erro

  1. Léuri disse:

    não existe ex-gay! eu posso entender os gays que preferem continuar no anônimato, ninguém é obrigado a se assumir. agora os gays que enganam a si mesmo e a mulheres realmente tem um sério problema de personalidade e carater. não consigo me relacionar com esses! seja enrustido, mas não engane mulher!

  2. […] de que homossexuais podem ser “curados” e, mais recentemente, com a divulgação de resultados de um tratamento que supostamente “reverteu” a homossexualidade de alguns pacientes. Opressão […]

  3. Ernandes disse:

    Como vocês conseguem ser tão hipócritas! Se levantam com toda essa rebeldia para que não haja tratamento, mas esquecem que não só existem vocês na Terra. Eu sou gay cara, e não gosto, não quero e nunca vou viver uma vida gay. Não é questão de preconceito interno, não é questão de temer ao que a sociedade diz. Eu não quero e pronto. Eu fui estuprado quando criança, molestado várias vezes. Hoje quero ter filhos, uma mulher, e me sinto um merda, um impotente. Por que? Porque ficaram sequelas terríveis e não posso cuidar. Por que? Porque os ativistas gays só pensam neles. É muito hipocrisia. Pedem liberdade, e não dão a quem precisa. Não sou obrigado a ser gay por que vocês gostam de ser gays. Podiam pensar um pouco mais como humanos. Ninguém está falando em tratamento forçado, mas de espontâneo. Todos deveriam ter o direito de ser o que quiser, e pronto. Agora ficam nessa e impedem os infelizes como eu, de encontrarem a felicidade um dia. São gays? Tudo bem, de boa. Mas, no meu caso, me fizeram gay! Sou um hétero dentro de um corpo gay. E preciso de tratamento sim! Deixem de hipocrisia e lutem pela liberdade generalizada.

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