Em busca do voto gay

No dia 21 de agosto, o governador de São Paulo e possível candidato do PSDB à Presidência em 2010 José Serra lançou o Selo Diversidade, que destaca ações voltadas para os LGBT. No início do mês, a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Roussef também havia se posicionado a favor da liberdade sexual.

Dilma era uma figura austera e discreta, que só se tornou presença frequente no noticiário político em razão do Projeto de Aceleração do Crescimento (PAC) e de sua pré-candidatura à Presidência. Por isso mesmo, é difícil encontrar declarações mais antigas ou ações suas que comprovem ou, pelo contrário, desabonem o apoio da petista aos direitos dos homossexuais.

O mesmo não ocorre com Serra. Como prefeito, em 2006, ele foi acusado de ter promovido o fechamento do bar Atari por razões homofóbicas. Mas o pior evento associando Serra e os homofóbicos ocorreu bem antes, em outubro de 2002, ainda na disputa ao cargo de presidente: para angariar apoio dos evangélicos, o tucano assegurou não apoiar projetos que incomodassem os religiosos, incluindo a união estável entre homossexuais.

Alguém pode dizer: ora, mas isso foi há 7 anos, é bastante tempo para que uma pessoa repense suas posições e torne-se mais tolerante. Sim, 7 anos é bastante tempo – mas, para o azar do presidenciável do PSDB, não é tempo suficiente para que esqueçamos que seu apoio à união entre pessoas do mesmo sexo é anterior ao acordo com os evangélicos. Meses antes, em maio de 2002, Serra já havia manifestado apoio à união civil homossexual.

Assim como o dinheiro, o voto dos homossexuais, no final das contas, não tem orientação sexual. Ajuda a eleger como qualquer outro, e é por isso que precisa ser conquistado. Mas não basta lançar selos ou manifestar apoio à causa gay antes da Parada, Sr. José Serra. Posições favoráveis à causa sempre merecerão nosso reconhecimento, mas de nada valem quando são abandonadas em troca de uma bênção nas urnas.

3 respostas para Em busca do voto gay

  1. Paulo disse:

    Eu sou antitucano até a unha do dedão do pé. Mas faço o advogado do diabo: José Serra não é nem mais nem menos homofóbico do que qualquer outro político médio que não seja ligado a movimentos religiosos. Ele é só pragmático e joga com as duas torcidas. Por um lado, agrada o eleitorado cristão, fazendo tudo isso que o texto disse. Por outro, agrada a militância homossexual, criando a CADS, o selo Diversidade, manifestando-se publicamente a favor de algumas leis etc.

    O que ocorre é que, quando precisa escolher, José Serra escolha o lado que dá mais votos. E é óbvio que evangélicos dão mais votos do que homossexuais. Não só por serem maiores numericamente mas principalmente por terem unidade política. Os homossexuais brasileiros são despolitizados e não têm força eleitoral – tanto que nunca conseguiram eleger um deputado federal sequer. Já os evangélicos têm uma das bancadas mais fortes da Câmara.

    Política não é o campo das ideologias nem da justiça, como aprendemos a acreditar. Ela se guia pelo pragmatismo e só por ele. Enquanto os homossexuais forem politicamente insignificantes, os políticos vão sempre preferir jogar com o outro time.

  2. Cláudio F. disse:

    Quase nada mais a declarar em razão do comentário do Paulo (excelente).
    O Serra é BEM (mas BEEEEEM mesmo) diferente da desgovernadora Yeda Cruzes. O CADS foi idéia de prefeitos tucanos, é fortalecido e segue firme e forte com Kassab.
    Tanto Lula (que tem apoio massivo da IURD, através de coligação com o PR) quanto Serra em SP disputam votos, e com certeza a maioria evangélica é mais interessante. Num altar de Igreja você consegue hipnotizar bem mais pessoas do que na Parada Gay. E os deuses adorados também são diferentes… Não temos bíblias, enfim, estamos na desvantagem mesmo.

  3. […] Mesmo com tudo o que eu disse antes, concordo com o autor do texto: não podemos ficar só no virtual. Ainda acredito no diálogo cara a cara e no valor do bom e velho protesto de rua – só acredito que não devemos usar essa forma de manifestação política pra diminuir o valor de outras. Colocar #forasarney no Twitter não vai derrubar o presidente do Senado, mas infelizmente acredito que atualmente uma passeata também não conseguirá esse feito. Como eleitores, o melhor que podemos fazer é não votar em candidatos homofóbicos, apoiar sempre que possível os nossos aliados e estar sempre atentos com quem tenta nos enganar. […]

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