Bi-bi-bi-bi

A tradução dessa semana é de um artigo da revista mexicana The Beef, que propõe um novo modelo de revista para homens gays. Esteticamente, a revista é bem interessante, com fotos conceituais mostrando corpos comuns de homem, não o padrão musculoso da maioria dos nus. A publicação é vinculada ao projeto Pride is Dead, que defende

Um novo ativismo, mas em que o significado do prefixo é o mesmo que teria o anti-herói da ficção contemporânea: chegar aos mesmos fins de maneiras pouco ou nada ortodoxas. Não queremos paradas. Nos recusamos a ser rotulados. Não queremos estar na mídia para induzir os outros ao erro de seguir o lado corporativo da mídia, e agir como se essa fosse a única verdade.

A revista com o artigo original pode ser visualizada online ou salva em formato PDF, e a tradução foi feita pela Mota. A dica original do Pride is Dead foi postada no HJE.

A visualização online permite ver a diagramação original do artigo na revista

A visualização online permite ver como o artigo fica na revista

Bi-bi-bi-bi
por Michael Me

Meu amigo David quer fazer camisetas que digam: “Discriminação – Como o sexo, os bissexuais a recebem de todos os lados”. E assim é. Muitos gays acreditam que bissexuais são pesssoas que não tem coragem de se identificar como homossexuais, já os heterossexuais acham que somos mais depravados que os gays por fazermos sexo com homens e mulheres. E para mim, viver com estas tensões nunca tornou minha sexualidade simples, básica ou de fácil determinação. Porém, é algo que expresso em meu trabalho como artista plástico há muito tempo, mesmo que às vezes eu não perceba.

Desde pequeno me senti atraído por mulheres, não só fisicamente, mas também por seus modos de ser e pensar. Sempre preferi brincar com elas, falar com elas, e tê-las como amigas. Estava na segunda série quando pela primeira vez me senti atraído por uma mulher, em parte por que sou um homem muito sensível e tinha uma ligação sentimental com ela, mas agora vejo, que o fato de ser bissexual também me conecta ao lado feminino.

Nunca entendi porque a sociedade olha para a sexualidade não-heterossexual como algo de ruim. Somos todos humanos, diferentes, é claro, mas iguais em nossa humanidade. Durante esse tempo não me senti atraído por homens, e não me identificava como gay/bissexual, mas me deixava muito triste ir à missa todo domingo e escutar a vida homossexual sendo retratada como doentia.

Fiquei cansado/doente da hipocrisia dessas mesmas vozes que cantava “Glória a Deus”, que falavam do amor ao próximo e depois diziam que Deus criou todos nós, mas que alguns de nós são lixo. Me dói da mesma maneira quando vejo filmes antigos da escravidão nos Estados Unidos. Não sou afro-descendente, mas me entristece conceber que meus país tenha permitido algo assim.

Não pensava muito em minha sexualidade e nem a entendia, até que na universidade me apaixonei por uma mulher bissexual. Ficamos juntos por muitos anos e agora ela é minha melhor amiga. Ela colaborou muito com meu autoconhecimento e desenvolvimento como artista, como por exemplo, quando anos mais tarde me relacionei com meu primeiro homem.

Me conheci muito – e, como sempre nos conhecemos melhor por olhos externos (mais pelos relacionamentos amorosos) – pela dualidade de minha sexualidade tive a oportunidade de conhecer duas pessoas tão diferentes. Algo que eu não entendia e temia tanto, ser bissexual, abriu mais possibilidades em minha vida. E sou grato por esta experiência.

Aprecio tudo que passei, tive tempos de incertezas e dificuldades, mas realmente conheci os dois lados: e com sinceridade. Dividir a cama com alguém, gargalhar acompanhado ou chorar na rua após ter um coração partido. Todos os momentos são reais e significativos, independentemente se passados com um homem ou uma mulher.

Mesmo que às vezes minhas ações traiam meu pensamento, acredito de coração que sou um ativista. Mesmo que eu lute sutilmente para opinar por meio de minha arte, se existe alguma injustiça social, me sinto triste e um pouco culpado pelos atos de meus próprios irmãos. Como artista mesmo que não pinte autorretratos, tudo que faço se torna um autorretrato. Detalhes de nossas vidas são refletidos em tudo que criamos. Desta maneira, embora eu não fale diretamente sobre minha sexualidade, ela está por todos os lados.

10 respostas para Bi-bi-bi-bi

  1. Cláudio F. disse:

    A publicação é louvável. Excelente mesmo. Mas a questão da bissexualidade masculina prá mim é complexa. Ininteligível. Quanto às mulheres e até às travestis, sem problemas, mas homem… Podem ser raros, mas existam…. O cara acima se descreve como uma gay bem pintosa (rs) na infância. Poderia ele ter somente sido gay ou até travesti (e neste caso, a bissexualidade e as justificativas explícitas todas bateriam).
    De qualquer maneira, bissexual com identidade de gênero

  2. Cláudio F. disse:

    igual a sua biologia, não sofre todo este preconceito que o cara fala. Agora vai ser um homem de 1.90m, com traços grotescos e se sentir no corpo errado para ver se tem graça. Para a própria pessoa e para a sociedade que esta pessoa tem que encarar.

  3. Carolina Maia disse:

    Como assim, Cláudio, bissexuais não sofrem tanto preconceito? Tu mesmo acaba de dizer que não consegue entender, e tenta encaixá-lo em uma sexualidade hétero ou homo…
    Acho que contra os homens bissexuais rola um preconceito afu sim, até pq a aplicação do rótulo “gay” é muito mais rápida com os homens (enquanto a mulher é de certa forma incentivada a “experimentar”). Tb não acho que dê pra comparar preconceitos – ou nossa luta como homos seria ridícula, pq trans sofrem bem mais igual… Mas principalmente, acho esse discurso de “até pode existir, mas eu não acredito” muito perigoso. A ideia de confusão/promiscuidade/fase também justificou muito preconceito contra Ls, Gs e Ts.

  4. Coacci disse:

    Cláudio, ininteligível é seu comentário. Seja mais claro por favor. Só consegui perceber preconceitos em seu comentário.

    Carol, concordo com vc. Não sei se o preconceito que os/as bi sofrem é maior ou menor que o que as outras letrinhas sofrem. São formas diferentes de preconceito (ou eu deveria dizer, manifestações diferentes de um mesmo preconceito?).

    Quanto as mulheres, na verdade percebo que existe uma pressão para a bissexualidade. Por elas perceberem uma somatória de estigmas (mulher + bissexual/homossexual), a sociedade machista e falocêntrica insiste que elas são incompletas sem um homem. Pressionando-as a bissexualidade. Não estou tentando argumentar contra a existência da bissexualidade feminina, apenas, mostrando que há uma certa tendência a forçar que a mulher se identifique como Bi e não como Lésbica. Tendência essa muito mais forte do que a que acomete aos homens.

    As pessoas tem que aprender que a bissexualidade é apenas mais uma orientação sexual, como qualquer outra. Não tem nada de melhor ou pior, não há (ou ao menos não deveria haver) hierarquias entre orientações sexuais.

    • Julia disse:

      O preconceito que as mulheres bis sofrem são os mesmos que os homens bi sofrem. Eu por ex não ficaria com uma bi! Já fiquei mas só tive experiências ruins, no final elas sempre preferiam um homem. É claro, é bem mais fácil ser hétero mesmo, pois todos apóiam. Sem falar no ménage à trois! Quando o relacionamento passa de 1 ano, elas querem coisas novas para apimentar o sexo. Eu por ex não curto, e meu encanto acaba na hora. Elas não têm identidade, aí se sentem confusa. Elas nunca se entendem. Porque uma hora ela quer vc (mulher), e depois um homem. Muitas antes de ficar com mulheres, dizem estarem solteiras, depois descobrimos que elas tiveram um “caso”. Depois de te usar um pouco, elas acabam voltando para o homem com que elas tinham um “caso mal resolvido”. Pra mim um bissexual tem o caráter bastante duvidoso! São promíscuos sim, desculpe, mas essa é a palavra certa para descrever eles, assim como são indecisos. Além disso, elas confiam em seus namorados, e nunca usam preservativo (é o tal pensamento de que num relacionamento um deve confiar no outro, e q ele não a trai), e eles passam doenças pra elas, e depois elas passam pra nós (lésbicas). Saúde em primeiro lugar! Tenho medo das bissexuais, pq mulher com mulher tbm se pega doença.

      Obs: Nunca vi uma bissexual que é casada com mulher. A maioria delas é casada com homem ou namoram/ficam com um homem para fazer sexo casual. É este o motivo de passarem dst para as lésbicas, pq o maior risco de doenças está entre as mulheres casadas, e das que fazem sexo no FDS, infelizmente.

      As bissexuais têm a mania de dizer que está apenas com vc, quando na verdade estão também com um homem. Na verdade eu até entendo, elas só querem curtir com as lésbicas e depois sair fora, pq gostam mesmo é de homem.

      Ninguém quer correr o risco de ser trocado ou traído.

  5. Hígor disse:

    Concordo com Coacci ininteligível é o comentário do Claúdio.

    O que o texto tenta passar não é quem sofre mais e sim que Bissexuais sofrem preconceito tanto do mundo hétero como do gay, o que é a mais pura verdade.

  6. […] sexta-feira da semana passada, o Homomento publicou seu primeiro post sobre bissexualidade, o texto Bi-bi-bi-bi, traduzido da revista mexicana Pride is Dead, que aborda o preconceito sofrido pelos bissexuais […]

  7. carlita disse:

    Eu descobri recentemente que meu namorado é bi e estou morrendo de nojo, o pior é que ele fantasia uma transa a tres, com outro palhaço junto e eu só quero manda-lo a merda.

    • Daniel disse:

      Se eu fosse seu namorado ja teria de dispensado ha muito tempo, é preferivel passar o resto da vida sozinho do que com uma mulher chata como vc.Purgante!

      • Julia disse:

        Chata? kkk Olha o que o namorado dela quer fazer?! Vc é doente né promíscuo? Só pode! Pq ela ainda tá sendo boazinha com ele, pois eu no lugar dela já teria saído fora há muito tempo! Deus me livre de um bissexual, pegar doenças e tal, to fora! Ela tá sendo muito corajosa em ficar com ele. Isso sim.

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