Se na semana passada o técnico Hélio dos Anjos fez repercutir sua ignorância, agora foi a vez do governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), que durante uma reunião com empresários referiu-se ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, de viado fumador de maconha e disse que o estupraria em praça pública.
O texto “O dia em que um governador chamou um ministro de viado”, da Carol, explica o caso com mais afinco, criticando o pedido de desculpas do governador ao dizer que o comentário foi em tom de brincadeira. Porque para ele, falar de homossexualidade em tom pejorativo, como se fosse um defeito, é apenas uma brincadeira.
Se de início Minc se saiu muito bem na sua resposta, ao longo da semana foi sendo indagado a respeito do caso e acabou falando de um possível enrustimento por parte do governador. A senadora Marina Silva (PV), ex-ministra do Meio Ambiente, criticou a troca de farpas: “[o ministro] tem a minha solidariedade, mas não pode responder na mesma moeda”. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) também ficou insatisfeita com a discussão. E, observem, nem Marina nem a CNBB pareceram particularmente incomodados com a ofensa aos homossexuais.
Além do já mencionado texto que foi postado no Homomento, recomendo o pronunciamento da Carta Capital a respeito, intitulado “O governador das cavernas”, que não só refresca-nos a memória para outras declarações “brincalhonas” de Puccinelli como leva em consideração o tom preconceituoso e truculento da fala.
Quem conhece o governador, no entanto, não se surpreendeu. Em seu currículo constam outros dois episódios igualmente lamentáveis. Em abril, Puccinelli disse ter levado “várias vezes os petistas para o motel, para o motel eleitoral”, insinuando que alguns o criticariam apenas em público. Em outra ocasião, sugeriu aos PMs que atirassem em bandidos “para matar”. (…) Além de constranger a parcela esclarecida da população sul-mato-grossense, Puccinelli e seus comentários engrossaram a voga homofóbica, que no ano passado resultou no assassinato de 190 cidadãos no País, de acordo com a ONG Grupo Gay da Bahia.
Ponto para a Carta Capital que, diferente de outros veículos, não só deu ênfase ao ensejo homofóbico da intriga política da semana como foi atrás da estatística do GGB para fazer seus leitores pensarem que enquanto um homem importante justifica seu preconceito com fanfarronice, homossexuais são reprimidos e assassinados por todo o Brasil por conta de sua orientação sexual.