Destaque da semana: violência contra LGBTs

A homofobia não se traduz só em discriminação verbal. Pode levar a agressões e morte

A homofobia não se traduz só em discriminação verbal. Pode levar a agressões e morte

Essa semana, o Dolado nos trouxe uma informação muito interessante: em Londres, a New Scotland Yard está comemorando o aumento de 18,3% no número de registros de agressões homofóbicas em Londres. Sim, comemorando. Para a polícia londrina, o maior número de denúncias não aponta para um aumento na violência, e sim indica que a população LGBT está se sentindo mais segura para reportar crimes de ódio.

De acordo com reportagem do jornal britânico The Guardian, a organização pelos direitos dos homossexuais Stonewall alega que ainda hoje os LGBTs não são levados a sério quando vão à delegacia. Eles defendem que a homofobia seja monitorada da mesma forma que o racismo. Um representante da polícia londrina concordou que as estatísticas ainda são tímidas frente aos números reais da violência motivada por orientação sexual, mas destacou o empenho do poder público no combate a todos os crimes de ódio: “Estamos trabalhando em parceria com as vítimas, com organizações LGBT e outros parceiros para garantir que vamos oferecer um serviço efetivo para vítimas e testemunhas, bem como punir os agressores”.

No Brasil, podemos citar como semelhante a situação da violência doméstica, que também contabiliza aumento nos registros. O número de agressões denunciadas aumentou 43% na comparação entre 2006 e 2007, e cresceu mais 32% no ano seguinte. Para isso, foi fundamental a promulgação de uma lei específica para coibir a violência contra a mulher, a Lei Maria da Penha, em 2006, e a criação de uma rede de serviços adequada para o atendimento das vítimas.

Tanto no caso londrino como nos relatos de sucesso da lei Maria da Penha, há um outro fator que motiva as vítimas a procurarem a polícia: a confiança na busca pelos agressores. Enquanto isso, ainda não temos respostas para as bombas na Parada de São Paulo. Nessa mesma parada, um homossexual foi espancado e morreu alguns dias depois por traumatismo craniano; e cinco homens agrediram um rapaz e foram embora tranquilamente, provavelmente seguros de sua impunidade.

O rosto de Ferruccio Silvestro, espancado ao sair de uma boate gay, é um símbolo da luta contra a homofobia no Brasil

O rosto de Ferruccio Silvestro, espancado ao sair de uma boate gay, é um símbolo da luta contra a homofobia no Brasil

O Grupo Gay da Bahia estima que um homossexual é morto a cada dois dias no País. Um levantamento do Dolado ao longo da semana passada chegou a um número bem próximo: em 9 dias, foram 5 os casos de assassinatos motivados por homo e transfobia – e isso só nos casos veiculados na mídia.

Maria da Penha, a mulher cujo nome batiza a lei da violência doméstica, viu o marido que tentou matá-la permanecer impune por quase 20 anos. Se seu caso não houvesse chegado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos OEA, talvez ainda não tivéssemos uma legislação específica para a violência contra a mulher. Também é interessante notar como a promulgação da lei, em 2006, provocou uma mudança de mentalidade – a agressão da mulher pelo marido deixa de ser vista como parte da dinâmica do casal para ser encarada como um problema grave.

As estatísticas londrinas nos animam, e o caso da lei Maria da Penha nos inspira a acreditar que nunca é tarde demais para buscar justiça. Para que os agressores sejam punidos, é preciso que não haja conivência com a violência praticada – e isso só vai acontecer quando a homofobia for vista como um problema sério e real, que ameaça a vida de LGBTs. Falando nisso, você já deixou sua assinatura no Não Homofobia?

6 respostas para Destaque da semana: violência contra LGBTs

  1. […] Destaque da semana: violência contra LGBTs « Homomento homomento.wordpress.com/2009/10/25/destaque-da-semana-violencia-contra-lgbts – view page – cached A homofobia não se traduz só em discriminação verbal. Pode levar a agressões e morte — From the page […]

  2. […] ela não fosse realmente necessária pela sobrevivência de muitos? O Grupo Gay da Bahia estima que um homossexual é morto a cada dois dias no Brasil. Isso não é uma ilusão nossa. São […]

  3. Muito triste este simbolo dos defensores do SIM à penalização da homofobia, debati o assunto no meu blog, segue link

    http://josecarloslima.blogspot.com/2009/11/coisas-do-extremismo-religioso.html

  4. David Lourenço disse:

    É muito triste ainda hoje temos que ver essa cena, é lamentavel, até quando nossas autoridades vão continuar sem fazer nada a esse respeito.
    Hoje temos medo de sair de casa e irmos a qualquer lugar.
    Será que teremos que andar armados…

  5. SHIRLENE disse:

    OS EVANGÉLICOS, PODIAM DIZER TAMBÉM. ” AMAMOS OS NEGROS, MAS ODIAMOS A SUA COR ”
    O NEGRO NÃO ESCOLHEU SER GAY, O HETERO NÃO ESCOLHEU SER HETERO E O HOMO NÃO ESCOLHEU SER HOMO.
    TOLERAMOS OS HETERO A PONTO DE JAMAIS DIZER “AMAMOS OS HETERO, MAS ODIAMOS A HETEROSSEXXUALIDADE” .
    MESMO CARREGANDO O ODIO DOS HETERO SOBRE NÓS, SEMEADO PRINCIPALMENTE PELOS MONOTEÍSTAS, APRESENTANDO UM DEUS MACHISTA. PERCEBEMOS ISSO NA BÍBLIA, QUE ELA NÃO APRESENTA ODIO PELA HOMOSSEXUALIDADE FEMINIANA, MAS SOMENTE PELA MASCULINA.
    OS FUNDADORES DESSAS RELIGIÕES CLARO SIMPLESMENTE PROJETOU EM DEUS A SUA IMAGEM E SEMELHANAÇA.
    UM ABRAÇO.

  6. SHIRLENE disse:

    OS EVANGÉLICOS, PODIAM DIZER TAMBÉM. ” AMAMOS OS NEGROS, MAS ODIAMOS A SUA COR ”
    O NEGRO NÃO ESCOLHEU SER NEGRO, O HETERO NÃO ESCOLHEU SER HETERO E O HOMO NÃO ESCOLHEU SER HOMO.
    TOLERAMOS OS HETEROS AO PONTO DE JAMAIS DIZER “AMAMOS OS HETERO, MAS ODIAMOS A HETEROSSEXUALIDADE” .
    MESMO CARREGANDO O ODIO DOS HETERO SOBRE NÓS, SEMEADO PRINCIPALMENTE PELOS MONOTEÍSTAS, APRESENTANDO UM DEUS MACHISTA. PERCEBEMOS ISSO NA BÍBLIA, QUE ELA NÃO APRESENTA ODIO PELA HOMOSSEXUALIDADE FEMINIANA, MAS SOMENTE PELA MASCULINA.
    OS FUNDADORES MACHISTAS DESSAS RELIGIÕES CLARO SIMPLESMENTE PROJETOU EM DEUS A SUA IMAGEM E SEMELHANAÇA.
    UM ABRAÇO.

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