Destaque da Semana: Dia Mundial da Luta Contra a AIDS

Nessa terça-feira foi comemorado o vigésimo primeiro Dia Mundial da Luta Contra a Aids. Vinte e um anos depois, a visibilidade da luta estende-se de campanhas na televisão às luzes do Cristo Redentor e da Torre Eiffel, passando pelo hypado Twitter e pelo novo site da administração do Obama (AIDS.gov). A abertura para se falar do assunto advém também da tranquilidade que ele passa hoje em dia, se relacionado ao pânico que evocava em meados da década de 90. Tornou-se uma data – e um ativismo, de modo geral – menos alarmista. Cabe lembrar alguns dados, trazidos por sites diversos, para fazermos o balanço do que já foi conquistado por essa luta – e do que ainda há para se fazer.

– Hoje em dia, por volta de 33 milhões de pessoas no mundo inteiro vivem com HIV/AIDS, e em alguns grupos específicos – incluindo o de homens homossexuais – os números de infecção têm crescido. Nos Estados Unidos, por exemplo, a cada dez minutos uma pessoa é infectada. (Change.Org)

– Há uma estimativa de que uma a cada cinco pessoas infectadas não está ciente disso. Isso significa que ela pode não estar protegendo seus parceiros e disseminando o HIV. (Bilerico)

– Entre 1980 a 2009 os casos de AIDS no Brasil, em homens com idade igual ou superior a 13 anos, totalizam 92.289 em heterossexuais, 62.203 em homossexuais e 36.147 em bissexuais. Já em mulheres o total é de 131.624 entre heterossexuais. (Dolado)

– O site Todos Contra o Preconceito, do Ministério da Saúde, oferece uma quantidade absurda de informações para quem se interessa, que vão desde o feijão-com-arroz do “como se contrai” até pesquisas e estimativas a respeito da situação da AIDS no Brasil.

A associação do 1o de Dezembro com os LGBTs é tão forte que a data acaba se tornando favorável à visibilidade da comunidade. Foi nessa terça, por exemplo, que o governo sueco anunciou que passaria a aceitar a doação de sangue por homossexuais a partir de março de 2010 – passando assim à frente de uma grande quantidade de países que nem considera a possibilidade por conta da ideia de “grupo de risco”. Mesmo assim, o tratamento dado aos homossexuais soa desrespeitoso: além de preencherem um questionário com diversas questões que atestam a condição saudável – comum para todos os doadores -, os homossexuais precisam afirmar que não tiveram relações sexuais no último ano. Dessa maneira, me parece que quem pode doar não são os homossexuais, e sim os assexuados.

Essa terça-feira também havia sido a data escolhida por Alex Freyre e José María di Bello para se consumar o primeiro casamento gay da América Latina, que ocorreria na Argentina. Duas semanas atrás, a medida havia sido aprovada pela juíza Gabriela Seijas, e a cerimônia estava já marcada – e sendo comemorada por ativistas de todo o continente. No entanto, uma manobra legal operada pela juíza Marta Gómez Alsina garantiu o cancelamento do matrimônio, um dia antes de sua consumação. O casal, que é soropositivo e ativista, não deixou de protestar e a medida ainda está sob discussão.

Uma visão panorâmica dos acontecimentos deixa uma sensação desagradável em relação a esse primeiro de dezembro de 2009. Entre abundantes gestos e discursos politicamente corretos em relação a uma doença sexualmente transmissível, os acontecimentos mostram que as sociedades são simplesmente incapazes de lidar com assuntos referentes à sexualidade.

Uma resposta para Destaque da Semana: Dia Mundial da Luta Contra a AIDS

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: