Nepal, a Meca LGBT da Ásia

Na última semana, saíram várias notas dizendo que o Monte Everest era a próxima conquista dos homossexuais: os direitos gays terão ainda no primeiro semestre um grande avanço no Nepal. Bom, quem diria que um pequeno país, exprimido entre as gigantes Índia e China, se tornaria um destaque como destino gay a nível mundial? Me perguntando como e porque isso aconteceu, acabei encontrando esse texto do Michael Jones (ótimo blogueiro do Change.Org, velho de guerra das nossas traduções de sexta), ótimo para dar uma noção a quem não sabe do que se trata. Vale lembrar também que questionar é sempre mais do que bom – e que o interesse econômico, especificamente nesse caso, pode ser bem maior do que uma aceitação real e presente na cultura do país.

Kathmandu

Nepal, a Meca LGBT da Ásia
por Michael Jones

Talvez alguém no ministério de turismo do Nepal queira fazer um adesivo: “De Guerra Civil a Casamento Civil”. O país, que há menos de cinco anos atrás estava sofrendo os efeitos de uma brutal guerra civil entre o governo e os Maoistas rebeldes, vai ter, em cinco meses, a única constituição da Ásia que garante direitos iguais para as minorias sexuais.

Alguns anos atrás, a Corte Suprema do Nepal deicidiu que o país deveria pesquisar sobre as leis que concediam direitos iguais a LGBTs ao redor do mundo e encontrar uma maneira de incorporar tais princípios em sua própria constituição. O país olhou para a Espanha, a Holanda, o Canadá, a Noruega e vários outros países onde LGBTs têm toda uma gama de direitos igualitários (notem que os Estados Unidos estão fora dessa lista).

O resultado final da pesquisa virá à tona em maio de 2010, quando o Nepal adotar sua nova constituição. Casamento entre pessoas do mesmo sexo? Sim, isso estará lá. Cuidados para que linguagem ofensiva não seja empregada para se referir a LGBTs? Sim, estará também. E que tal garantir direitos identitários favoráveis a transexuais e transgêneros? Bom, isso também será previsto. Isso significa que a constituição do Nepal, uma vez que promulgada, pode se tornar o documento mais progressivo na face da terra.

O que, voltando ao tópico inicial do turismo, levou alguns a pensarem que o Nepal acaba de se tornar a capital LGBT da Ásia, senão do mundo. No momento que a constituição se tornar oficial, em Maio, uma companhia de turismo vai começar um esforço pra tornar o Monte Everest uma “Montanha Rosa”, um destino comum para casais gays e lésbicos ao redor do mundo.

Sunil Pant, um dos líderes ativistas LGBTs de Nepal e o único membro de parlamento abertamente homossexual em todo o continente asiático, irá liderar essa companhia de turismo. Sua astuta conclusão é que a economia do Nepal vai ganhar muito com o casamento gay.

“A maioria dos países asiáticos não recebem bem os visitantes gays, então nós teremos muitos benefícios para a economia do Nepal, que está frágil depois de anos de guerra”, disse Pant.

Faça amor, não guerra. Ou no caso do Nepal, igualdade, e não guerra. Palavras diferentes; mesmos princípios.

5 respostas para Nepal, a Meca LGBT da Ásia

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Joo Esteves, Homomento. Homomento said: Nepal será o primeiro país asiático a ter direitos LGBTS http://migre.me/hi8h […]

  2. quantotempodura disse:

    “(notem que os Estados Unidos estão fora dessa lista).”

    Achei que os EUA já permitiam casamento gay em alguns estados.

    De qualquer modo, nessas horas é que se vê a sorte do ajustamento de termos: antes da sigla LGBT você teria que nomear este post como “Meca Gay”, o que definitivamente não pegava bem…

  3. Thiago disse:

    Meca? Aquele ponto para onde se deslocam os seguidores da religião intolerante que dá chibatadas e mata os homossexuais? Que tal outro título melhor para o Nepal, um país predominantemente hinduísta? Algo como a Village do Himalaia?

    • Alex disse:

      Às vezes acho que a comunidade LGBT tomou gosto por analisar e criticar cada significado de cada palavra. =P

      Hahaha, muito bom o seu apontamento. Realmente não faz muito sentido o uso de “Mecca”…
      Abraços

  4. Benjamin Bee disse:

    Não é incrível que nós, que estamos vivos hoje, estejamos vendo acontecer no mundo todo uma mudança de costumes até há pouco inimaginável?
    Quando eu era garoto sentia-me um privilegiado por ser contemporâno dos Beatles, do João Gilberto, Gal, Betânia, etc. Hoje, mal consigo acreditar que sou contemporâneo dessa nova ordem familiar que são as famílias homoparentais.
    Sei que não viverei o bastante para ver o sacramento do matrimônio gay sendo oferecido pelos católicos, mas posso antever esse futuro. Puxa! Que sorte eu tenho!

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